11/02/2016

A Maior Dificuldade Após o Programa!!

Eu nunca vou me esquecer do que me disse meu professor de ESL em 2006 "todos que moram fora de seu país, e gostam da experiência, nunca mais se sentem em casa em apenas um lugar só". Eu não levei muito tempo depois disso para perceber que é assim mesmo, que essa é uma verdade na realidade dos intercambistas. Eu morei com duas famílias legais nos EUA e quando voltei para o Brasil não achava mais "meu lugar no mundo". Eu fiquei perdida por aqui- pelo Brasil- um bom tempo (acho que 6 meses) até recomeçar as minhas atividades e sempre que viajava para lá, era lá que eu queria ficar. Eu comecei a sentir que nunca mais seria ""apenas"" brasileira. Quem mora fora passa a ser cidadão do mundo. 

                                        
E é com essa sensação de pertencer aos lugares que moramos que passamos todas as datas importantes: querendo participar. Não entendeu? Vou te explicar! No dia do Thanksgiving eu via várias postagens das minhas famílias no FB e queria participar, entende? Poder chegar para o jantar, just like todos eles, e conversar um pouco. Seria muito bom se houvesse uma maneira de ser fácil assim mesmo: você decide ir, pega um bus rapidinho, janta com eles (leva até aquele seu prato favorito para a sobremesa), abraça todo mundo e volta para a sua casa! E o contrário também vale... Imagina você morando lá nos EUA, querendo vir aqui rapidinho para o aniversário de alguém e podendo voltar para casa sua casa em NY poucos minutos depois? Mas essa não é a nossa realidade. Nossos países são distantes e é bem carinho fazer viagens assim. Então como não rola, eu "dou meus pulos". 

E assim, acabei ligando no FaceTime para TODAS as pessoas das duas famílias que morei para desejar Happy Holidays. After 10 years, eu continuo tendo contato com todos eles. Eu faço questão de ligar nas datas importantes e de responder as mensagens que eles me mandam. Então, se você queria saber qual é maior dificuldade depois do programa, tá aqui: a falta de pertencimento a um lugar apenas, a dificuldade de let it go tão facilmente de pessoas ou lugares que irão marcar a sua vida. Pois é. Eu liguei para todo mundo. E fiquei feliz em falar com 6 pessoas (queria ter falado com todas as 16) e de vê-las pelo FaceTime segunda-feira. 


A primeira que me atendeu foi a Autumn. Ela é prima das minhas kids e tinha 6 anos quando eu morei lá. Hoje ela está com quase 17, as unhas longas, usando make e fazendo shopping na VS's. Hahahaha conversamos por uns 30min e só desligamos por que ela estava saindo para tomar café da manhã com umas amigas. Ela está dirigindo. OMG! E disse que tem todas as nossas fotos pela casa ainda. Fotos do casamento dos pais dela (que eu fui e peguei o buquê), fotos das férias na Disney, dos aniversários etc. Foi de um carinho tão grande, que eu desliguei querendo abraçar o mundo de tão feliz. Maaaaasssss como não dava para abraçar o mundo que eu queria, eu continuei ligando para quem tinha na agenda. A próxima foi a Grandma. A Autumn tinha acabado de me falar que ela havia ganhado um smartphone de Natal. Quando eu liguei, ela ficou toda feliz me vendo na tela. Hahaha Sentou na cozinha para tomar um café enquanto me interrogava sobre os últimos acontecimentos da minha vida. Ela fazia uma pergunta atrás da outra, falava das eleições, pediu para eu ir visitá-los logo e me contou do resto do povo que não tinha atendido o tel minutos anos. Disse preu juntar grana e "take my butt there". Aí, o telefone fixo da casa tocou e ela ficou toda atrapalhada para atender os dois e pediu para desligar comigo. Ainda feliz, liguei para mais dois. O Bradley que está no Hawaii com o resto da minha family da Califa e com a Lucy, irmã dele. Eles são meu kid mais velho e a mais nova da second family. O Bradley pediu desculpas e correu depois de 5min de ligação, pois tinha que sair para um passeio. A Lucy, a minha hostess e o meu host falaram comigo por uns 20min ainda. Foi muito legal. Eles também fizeram várias perguntas e entre elas quando irei visitá-los. Perguntaram do meu trabalho, elogiaram meu inglês e nos despedimos. Eu desejei Happy Hanukkah e desliguei feliz novamente. 

Veja só: au pair é um programa de trabalho, mas existem famílias que são legais e que vão querer manter contato com você e que vão te tratar bem sim. Este tipo de relação se ganha com tempo, sorte, paciência e muita resiliência. A minha primeira family é family mesmo. Até hoje. Eu não me importava se mudassem meu schedulle de última hora, mas ficava puta se não me convidassem para ir ao cinema com eles. Hahahaha eles até sabiam e mandavam mensagem perguntando. E eu escolhia ou não participar. A segunda family foi muito aprendizado. Me ensinaram mais do que serei capaz de retribuir um dia. Sou muito grata. 


Por isso, nesse finalzinho de ano: pense bem! Escolha com consciência. Agência é tudo igual. Lugares você poderá viajar e visitar depois. Mas ter uma family gentil e educada deve ser a sua prioridade. E para isso você tem que se conhecer. Quais pontos são fundamentais para você? Ter um carro seria? Morar com animais? Morar perto do college? Cuidar de kids mais velhas? Faça uma lista  dessas prioridades e aumente as chances da sua experiência ser maravilhosa. Qualquer coisa, conte comigo! Pode me escrever: aupairtarci@gmail.com!

Bjs!

10/29/2016

Talvez o Programa de Au Pair Não Seja o Que Você Procura!

Oi, e aí? Todas recuperadas do tiroteio que foi o #VMA ontem? Queria dizer que não pude ver tudo, masssssss o que eu vi ficará para sempre na memória: tiro, bafo e muita ousadia. 

Então... Eu recebo alguns e-mails me perguntando se há outras maneiras, além do programa de au pair, de ir morar fora... Algo que não seja tão caro quanto os programas de intercâmbios das agências e nem tão específico quanto o programa de au pair... pois vamos combinar: o programa de au pair é para um público que tem muita afinidade com crianças e nem todo mundo que quer morar fora é assim... Aliás, eu diria que poucas pessoas têm a paciência -rsrsrsrs- necessária para ser au pair. A moça que me motivou a escrever esse e-mail, queria ir com o namorado, mas não tinha certeza se o programa de au pair seria uma boa opção... Pois vamos lá ao que eu encontrei nos meus arquivos por aqui... 

Assim, eu descobri que existem algumas cidades que pagam para que você vá morar lá! Seja porque a população é pequena ou porque precisam de jovens para oxigenar o mercado de trabalho, há pelo menos cinco cidades em que o governo "pagaria" para que você morasse lá. Esse pagamento é geralmente em forma de bolsa moradia (vamos chamar assim?! Rsrsrs), mas existem outros benefícios também. Vamos ver quais são essas cidades??

Detroit- USA



A cidade precisa desenvolver melhor a economia local, pois alguns bairros estão um pouco "abandonados". Dessa forma, o governo fez uma lista de exigências aos candidatos e quem cumprir o que o governo pede terá uma bolsa de U$ 2.500 para fixar residência na cidade. Eles dão preferência a certos profissionais e empresários. Ou seja, sim, melhor estar formada com diplominha em mãos. A lista dos detalhes não tenho, né?! Agora a senhora joga no Google e "destroit" mesmo, né benhê?! Dica: o site da prefeitura local ;)


Alaska- USA


Eu sei que é frio para chuchu na mesma proporção com que é lindo para chuchu também, mas taí mais uma opção. O governo nesse caso exige duas coisas: que você nunca tenha sido preso e que já tenha morado lá por um ano. Eu já vi uma au pair no Alaska (ou duas), mas não sei se foram por agências. Uma delas recebia brasileiras que queria ver a Aurora Boreal e fazia um tour por lá. A parte boa nesse caso é a seguinte: a contribuição que o Alaska dá é anual. Ou seja, ele quer que as próximas gerações fiquem por lá também. 


Niagra Falls- USA


A cidade conhecida por estar na divisa entre os EUA e o CAN tem seus encantos naturais e financeiros também... hahaha! Assim, existe um programa de U$ 7000 dólares anuais para que você estude na cidade por alguns anos. O objetivo é atrair uma população mais jovem e desenvolver a economia e a produção acadêmica. 

Mas, se o seu negócio não é exatamente os EUA, aqui vão mais duas dicas:

Saskatchewan- Canadá


O Canadá em si já é um país com grandes atrativos e com um belo sistema de apoio aos imigrantes. Existem várias políticas de ajuda às pessoas que gostariam de morar por lá. [Consulte o site da embaixada canadense para ter detalhes! ;)] O Canadá é o "tipo de plano" bom para quem tem um namorado e quer ir morar fora com ele! Eu tenho dois amigos que estão lá há uns três anos! Eles levaram até o cachorro. Hahahaha 

Nessa cidade, especificamente, se você tem um curso superior universitário (não sei quais especificamente) será oferecido 20mil dólares canadenses para que você trabalhe e more por lá sete anos. A cidade fica na região Oeste do Canadá.

Ahhh... mas seu negócio é a Europa?? ok! Achei uma opção por lá também. Aliás, essa opção eu toparia! Que lugar lindo!

Ponga- Espanha
A Espanha (linda e bela!), que já é um encanto em si, tem uma região perto das montanhas com cidades pequenas e remotas, como Ponga! Eu nunca tinha ouvido falar de Ponga, na verdade! E é isso que eles estão tentando reverter: povoar a cidade e colocá-la no mapa! Literalmente! Eles oferecem uma bolsa de 3 mil Euros para quem for morar na cidade e mais 3mil Euros por filho que você tiver. É ou não é uma boa oportunidade? Especialmente para quem gosta de frio e não precisaria necessariamente viver em um cidade grande. [Coloquei essa observação porque morei um mês em SP e prefiro minha pequena Brasília mesmo! Não desmerecendo a cidade! Jamais! É que Bsb é bem mais tranquila, sabe?! Beeeeeem menos gente!] 

Espero ter ajudado, pessoal!!

Ah, uma coisa que eu gostaria de pedir: pessoas que já me mandaram e-mail, me escrevam outra vez e me digam se a minha ajuda foi válida, se deu certo, se você resolveu o seu problema, se desenrolou com o boy, se vai ficar um ano ou dois e tudo mais que queiram me contar. Normalmente, recebo o primeiro e-mail com o "problema/impasse/caso perdido/pepino", respondo o e-mail com todo carinho do mundo E FICO SEM SABER SE DEU CERTO!! Hahahaha acabem com a minha agonia. Voltem a me escrever! Me contem o que decidiram! 

E lembrem-se: NUNCA EMBARQUEM COM UMA DÚVIDA. 
Escrevam para: aupairtarci@gmail.com se precisarem de alguma opinião, conselho ou só para desabafar mesmo! Contem comigo!!! ;) 

Much love,
Tarci
Aproveita que a vida é curta!

Fonte: Blasting News

6/29/2016

Resumindo a vida de au pair...

E aí que eu continuo REPETINDO: VALEU CADA DIA LONGE, CADA DIFICULDADE ENCONTRADA, CADA SUPERAÇÃO... e eu faria tudo outra vez! Sem sombra de dúvidas! 

Quando eu digo que completei os dois anos de programa!


Vamos aos detalhes... Eu fiquei online em fevereiro de 2006 (tirei carteira em dezembro e preenchi app em janeiro) e em março fiz match com a primeira familia que "falou" comigo. Aliás, eu vi que eles estavam "no meu perfil", mas nada deles falarem comigo. Um dia, estou vendo tv, 21h, e a agência me liga de SP. Eles foram logo dizendo que a family tinha fechado comigo e que eu já tinha até dada de embarque. Oi? Mas eu nem tinha falado com eles. Falei para a agência que só iria se a família me ligasse. E foi um telefonema comum mesmo. Ligaram aqui em casa. Não tinha Skype. Conversei com eles por 3h (Sim, isso tudo!) e fechamos. E eu embarquei em março. 

Eu me lembro da correria até o embarque. Os documentos, as roupas de frio (que eu não tinha), as despedidas, a saída do emprego e a minha chefa da época dizendo que eu iria me dar mal, que a family iria me odiar e me mandar de volta. Hahahaha... Sim, ela disse isso. E eu nem respondi. Cada um sabe das suas tristezas. Ela não me atingiu. Lembro até hoje do dia que cheguei na casa dos hosts: o cheiro da casa, a cor do sol entrando pela janela do meu quarto, o vento gelado na driveway, o barulho que o chão de madeira fazia e as pessoas falando rápido (ou de-va-gar... dependendo da ideia que tinham de mim! hahaha)!! Fiquei com essa família meu primeiro ano inteiro e foi incrível. Eu me sentia parte da "equipe". Eu gostava de estar com eles mesmo fora do meu horário: as kids dormiam no meu quarto, eu ía para a casa da vovó (do outro lado da rua) quando estava free, saíamos juntos e viajávamos juntos. Eu não tinha muita noção do tamanho do buraco que meu coração teria quando o ano acabasse. Assim, quando os papéis para renovar chegaram, eu perguntei se eles poderiam me deixar atender mais créditos no college. Eu amava ir para as aulas e era muito dedicada, mas eles não podiam me liberar mais tempo, nem de noite. Então, eu troquei de family e, com a ajuda deles, fui para a Califórnia. Dessa forma, foi um ano em NJ e outro na CA! 

Olhem minha casa ali!! Hahaha brinks!! Eu morava em Orinda! 20min de Bart lá de San Chico.
Lá na CA a banda tocava diferentemente. As kids não podiam ir até o meu quarto, que era separado da casa (em cima da garagem) e com banheiro privado; eu tinha schedule anotado em um cronograma entregue todos os domingos à noite, eu tinha apenas 1/2 do sábado e o domingo livres, não víamos tv juntos, eu não ficava no meu quarto conversando com eles etc. Eu sentia falta de ser parte da família. Mas eu me adaptei. Em três meses já estava por dentro de tudo. A outra family estava estudando a possibilidade de me levar para morar com eles como estudante no final do segundo ano, pois nunca deixamos de nos falar. Se eu amo as duas famílias? Sim, claro! Se eu me arrependo de ter trocado? Jamais! Cada experiência me ensinou coisas incríveis e me fez mais forte. Eu amadureci enormemente nos dois anos. Mas isso foi em 2006-2007!!!

né?
Gente, dez anos!! Dez anos!! Tudo isso que aconteceu lá em 2006 continua disponível no meu blog Amiga do Tio Sam (tem página no FB também)!! Ainda tenho todos os posts e há várias fotos também. Não são pelos anos que fiquei lá que estou aqui hoje. Estou para contar o que eu tenho hoje!! 

Hoje, eu tenho todos eles no meu FB. As duas famílias e alguns kids, pois nem todos têm FB ainda. Eu tenho "essas duas famílias" longe, duas segundas casas e muito carinho por todos eles. Eu já voltei para visitar a family do primeiro ano duas vezes. Das duas vezes que eu fui, fiquei dois meses com eles e foi fantástico. Nós fizemos a viagem anual à Disney (duas vezes), Key West, muitas saídas para o cinema, boliche, shopping, parques e filmes no sofá. Eu ganhei pessoas que estão comigo há dez anos! Que me mandam mensagens uma vez ou outra, mas é como se tivéssemos nos visto ontem. Eu não estou dizendo que era perfeito, que não brigávamos. Não, não! Nada disso! Pelo contrário! Ganhei uns gritos durante meu ano de au pair também. Ouvi umas coisas que não merecia e devo ter tido minha parcela de culpa em algum evento aí (hehehe...)!! Não existe family perfeita... não vá embora com essa ilusão, por favor! Mas é possível, sim, adaptar-se, crescer, aprender a conviver e a superar. Por isso estou aqui para dizer que hoje eu tenho a mim! Eu sou mais consciente dos meus limites e mais determinada a ultrapassá-los. Eu sei até onde posso empenhar cada fibra do meu corpo sem me arrepender depois, sei como torcer cada fio de cabelo para me adaptar, sei olhar meu próximo com olhos de compaixão e não apontar meu dedo tão apressado em julgar as diferenças. Eu sei, principalmente, que se olharmos com cuidado, encontraremos muitas semelhanças entre as nossas culturas: um bom vinho deixa uma noite mais leve, um sorriso abre portas e dançar nos aproxima- em todos os lugares. Por que olhar para o lado negativo apenas? Por que fazer marketing do que é tão contrário aos nossos costumes? Dizem que você só tem choque-cultural uma única vez! Você irá se espantar quando vir algo muito diferente da sua realidade, levará um tempo para se acostumar com a "novidade" e depois disso, tudo que lhe for mostrado pela primeira vez, não te causará mais um desconforto tão acentuado. Você irá entender que é parte da cultura daquela região e não sentirá tamanha agonia. Eu ganhei mais coisas em dez anos do que posso escrever aqui hoje. (E eu nem entrei nos mérito das oportunidades de emprego que tive depois que voltei...)


Bom, é isso!! 

5/29/2016

Foi assassinato mesmo!

                                                                                

Somos 30 e nos multiplicamos rapidamente aqui! 
Somos 300 contra essa crueldade!
Somos 3.000 gritando aos quatro cantos do mundo! 
                                   Pois fomos levados pelo vento, despertados pela vida.
Somos 30.000 reunidos em oração e empatia!
Somos a Moça Atacada, somos a voz dela, somos o grito!
Nossa empatia viaja distâncias, desconhecemos fronteiras!
Nossos corações se unem e nossa energia chega à Moça.. e ela sabe...
ELA SENTE.... somos uma só! Ferir a uma é ferir a todas!
Juntas somos grandes e não toleramos a cultura do estupro! o/

Foi uma semana irreparável para uma moça da periferia do Rio de Janeiro, e, infelizmente, enquanto eu escrevo esse post está sendo um domingo irreparável na vida de tantas outras moças vítimas de violência! Eu não vou me alongar na descrição dos crimes ou mencionando artigos, mas é um absurdo que em 2016 um dos nossos maiores desafios ainda seja garantir a nossa -própria- integridade física. Segundo o site Compromisso e Atitude, 48% dos casos de violência doméstica aconteceram dentro DA PRÓPRIA CASA. (2009*, ia buscar um mais atualizado, mas gostei dos gráficos desse site). Isso te diz alguma coisa? Sim, moça! Na maioria dos casos as manas conhecem os seus agressores! E eu gostaria de lembrá-las outra coisa: existem vááááááárias formas de agressão: verbal, psicológica, física e há ainda ramificações em cada uma delas! Ou seja, moça, quando você começa a falar com o seu namorado e ele te diz "que sua voz é irritante" ou que "não tem tempo para as suas crises de drama", vai levantando as suas orelhas aí! Vai prestando atenção!!

                                

E também não vai achando que essas coisas só acontecem no Brasil e que lá fora você estará a salvo, que NÃO É VERDADE, hein?! Todas nós já ouvimos falar de casos de rapto de garotas pelo tráfico internacional para trabalhos sexuais! Pelo amor de Deus... não é isso que acontece por trás do programa de intercâmbio (longe disso!!!), mas você TEM QUE FICAR MAIS ALERTA!!! 
1. Se conheceu um boy e quer sair com ele, deixe uma amiga "avisada"... você e sua amiga podem trocar mensagens durante a noite para garantir que todos estão bem! 
2. Cuidado SEMPRE com seu drink na balada! Especialmente se for um drink preparado em recipiente aberto. Observe. 
3. Marque encontros em locais públicos! Você não faz ideia de com quem estará saindo...
4. Desconfie de mulheres também. Muitas meninas são atraídas para certos bares, festas ou locais "especiais"por meninas "que estão apenas fazendo um trabalho de divulgação". Use o Google e faça uma pesquisa antes! Se quiser ir, vá com outras pessoas e deixe uma pessoa avisada!! 
5. Evite publicar a sua localização nas suas fotos! Você nunca sabe quem estará te observando.
6. Evite muitos detalhes em suas redes sociais... Tem doidx para tudo nesse mundo!
É bem triste ter que aconselhá-las a tomarem essas precauções, mas nascemos mulheres! O mundo é duplamente mais perigoso para nosso gênero! 

Se você acha que tudo que escrevi ainda é bobagem, vou citar o caso da Ana, que foi assassinada pelo ex namorado durante o intercâmbio. Em 2006, quando eu estava me preparando para embarcar para New Jersey, a notícia foi destaque nos meios de comunicação. Foi um choque para mim. Uma menina tão nova e com o mesmo sonho que eu tinha. Minha mãe viu toda a reportagem comigo << http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1612200501.htm >>, mas continuou me apoiando. Nesse momento, enquanto nós víamos tv, não era apenas a Ana que tinha sido assassinada. Uma parte de mim morria junto com ela. Ali, no chão do quarto dos meus pais, vendo tv, assassinavam a minha paz! Assassinavam a minha crença no ser humano! Esse caso tem dez anos! 10!!! E eu lembro do que senti como se fossem ontem! Imagina a moça que sofreu esse crime dessa semana! Imaginem a dor e a indignação que deve latejar em sua alma!! Imaginem como será seguir com a vida... Imaginem e...

E... se cuidem!! Cuidem umas das outras! Cuidem das manas! Cuidem daquelas amigas que quando sofrem críticas nas redes sociais recebem textos que as julgam por suas escolhas sexuais! Cuidem daquelas amigas que estão em formação (16, 17 anos) saindo com homens MUITO mais velhos, que as tratam como "segunda opção"! Cuidem das mães de vocês, que fazem muito do trabalho diário! Cuidem das avós, que querem relatar a vida em histórias vivas, mas que não têm audiência! Cuidem das amigas que estão isoladas! Cuidem das manas no ônibus, no metrô e nas baladas! Cuidem das manas, pois somos todas filha da Mesma Energia Feminina!! Cuidem da Moça agredida essa semana: ela merece toda energia que possamos mandar! Good vibes! Orações! Textos compartilhados! E, se ela pudesse ler essas linhas: moça, você é linda! A culpa não é sua! Choramos com você!
                                          
Hoje eu não deveria postar as dúvidas, pois o post ficou longo! Mas uma das meninas me pediu muito para que o caso dela aparecesse aqui.... Vou postar.... Pois ela quer a opinião de todas!!!

oi, Tarci! Não sei por onde começar... estou morrendo de vergonha, mas aqui vai: você saia com meninos americanos? Já estou nos EUA e nunca demorei tanto pra beijar na boca! Acho que o menino tá me enrolando... ele tem 20 anos e mora perto da minha casa... é assim mesmo? --'

**minha resposta**: rsrsrsrs oi, X!! Tudo bem aí nos States? Então... saí sim!! E o primeiro me enrolou 2 meses... saíamos para o bar e nada! Saíamos para o parque e nada! Dai, um dia, ele marcou um cinema e fomos. Eu já nem esperava nada! Quando... quando... ELE COLOCOU A MÃO NO MEU OMBRO! hahahahahahaha e então, só quando entramos no carro, ele fez que ía verificar se o vidro estava realmente fechado e me deu um selinho mega rápido! Então, respondendo a sua pergunta, SIM, eles adoram essa fase de paquerar. 

E, como eu disse, a moça da pergunta quer ouvir a opinião de várias meninas!! Mais alguém quer partilhar? Deixe ai nos comentários!! Aposto que ela passará por aqui esses dias e lerá tudo!!!

                 E, já que você leu até aqui, gostaria de te propor uma troca!! Sim, tro-ca!! 

Porém, caso você queira me escrever um email e queria que a sua dúvida apareça aqui na página:
               aupairtarci@gmail.com   aberto 24/7!!!
                                  

Beijos gigantes!
 E...
SE CUIDEM!!!

Tarci!

4/29/2016

Mais FAQ's!

Vai lendo aí!!
Porém, vou continuar a tradição e começar pelas dúvidas que recebo por e-mail!! Minhas remetentes foram protegidas, claro!! :o)
Boa noite!
Meu nome é Bonitinha, tenho 89 anos e eu vi seu email no blog das 30 au pairs e resolvi tirar algumas dúvidas...
Vi o programa de au pair como uma forma - mais barata- de intercâmbio e achei super interessante essa coisa de ir pra trabalhar e tudo mais. Só que assim, eu tenho algumas experiências com crianças mas elas já fazem um bom tempo, a única criança que eu tenho contato direto é meu cunhado e ele tem 4 anos porém não passo tanto tempo assim com ele. Eu tenho medo de não me adaptar com as kids e queria a sua opinião, se isso é possível se adaptar e gostar muito de crianças ou "esquece au pair não é pra você"
RESPOSTA: Amiga, é sim!! Tudo nessa vida é adaptação!! Claaaaaro, que você consegue. Você é jovem, pode fazer mais horas com crianças (eu não entendi a parte da sua experiência ser com seu cunhado de 4 anos!! Rsrsrsrs...), estudar mais inglês e só então começar a aplicar para o programa. Sua dúvida é comum e bem fácil de ser resolvida... vai criando uma rotina aqui e manda esse medo para bem longe. Ache um local para voluntariar e leia muito sobre o assunto!! Boa sorte!! E mande notícias!! :)
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Oi Taci, bom dia... tudo bem?
Meu nome é Lindona, tenho 79 anos, seeeeempre tive vontade de ir para fora do Brasil, conhecer vários lugares, e até morar fora (mas isso é uma coisa que só irei decidir quando tiver esta experiencia). Eu soube do programa Au Pair com uma amiga que foi há uns 3 anos, se apaixonou pelo país e ficou. Mas ela não teve muitas experiências boas no começo, entrou em depressão, sofreu muito antes de tudo se acertar.
Eu sempre fui muito dependente, nunca gostei de ir em shopping, cinema, bar sozinha. Sou muito grudada com minha mãe e minha família e acho que por esse lado, o programa iria me ajudar muito.
A minha dúvida hoje é: vou ou não?
Tenho um namorado aqui no Brasil, tenho uma sintonia com ele que nunca tive, nós demos um passo a mais e hoje pensamos em imóvel e inclusive estamos pagando um.Mas comentei uma vez que tinha vontade de fazer um intercambio, ele disse que também tem vontade, mas eis a questão: para fazer um intercambio sem ser Au pair, eu precisaria de muito mais money! E vamos concordar que ir com um namorado brasileiro poderia me atrapalhar em algumas evoluções. E ele é daquelas pessoas que fala mas nao vai atras sabe? Totalmente o contrário de mim, que estou vendo videos e blogs há dias!!! Ele também me disse que namoro a distancia não rola...O que me deixou mais na dúvida ainda.Agora isso fica martelando na minha cabeça o dia inteiro, e não aguento mais essa indecisão! Pode me dar seu ponto de vista e seu conselho?
RESPOSTA: ééééééé, amiga!! Seu caso é mais delicado!! Primeiro, pergunte ao seu coração "quero me afastar dele por um ano?"... você terá que fazer muita coisa sozinha e, pelo que você contou, seria o fim do seu relacionamento! Então você teria que lidar com a bad e com a adaptação natural que o programa exige. Eu pensei... pensei e achei uma possibilidade. Vocês já estão até pagando um imóvel, então não acho que o término seja uma opção. Por que vocês não sentam e planejam um ano de várias viagens? Assim, você vai e ele faz várias viagens saindo daqui do BRA para te ver a cada 45 dias... Mas quando você for, vocês terão todas as passagens compradas e tudo no papel. Por exemplo: você vai em abril... já marca que em maio ele terá que ir (as passagens estão uns 800 reais ida e volta) e será para conhecer a sua cidade lá. Ele ficaria 4 dias e voltaria. Segunda viagem: 45 dias depois. Vocês escolhem outro destino e vão curtindo juntos todos os planos que farão. Fazem álbum, scrap e compram canecas por onde passarem. Fazem um vlog e, na volta, você já vai morar com ele. It's a win win situation. :) Hahahaha.. se a grana não der para tudo isso: você consegue a grana para as duas primeiras viagens. Deixe-as marcadas. E paga as outras com a grana do programa! ;) Mas, amiga, essa é só a minha ideia. É você que tem que seguir seu coração! Me avisa, tá?! E boa sorte!! :)

3/29/2016

Pode Ser Escondido Mesmo...

Fiquei horas olhando para o meu computador sem saber como começar esse post... Eu sempre acreditei que as primeiras linhas são determinantes para quem está lendo: ou você vai me dar 10min do seu tempo, ou vai procurar algo mais interessante para ler... A verdade é que eu não tinha muito para onde correr... Eu precisa escrever sobre isso... Inclusive as mensagens que recebi esse mês estavam meio para baixo... Acredito que tenha sido um sinal... Está na hora de falar da tal "tristezinha" que bate na vida da gente!



Primeiro, tire da sua cabeça que essa tristezinha é coisa da sua imaginação! Não, pessoa bonita, não é! Todos nós sentimos falta de casa. Umas pessoas mais, outras menos. Umas pessoas da comida, outras da família! É normal! Você verá que o programa de au pair é para os que sabem se adaptar e sabem tirar o melhor do que há no momento. E, ainda assim, você poderá sentir-se triste! Então: se quiser chorar, CHORE! 

Vale chorar antes do programa! Sabe todos os perrengues que você está passando e todas as decisões que você tem que tomar? Pois é! Só você sabe aonde aperta o sapato. Se o seu aperta no coração, procure alguém que te entenda, que possa te escutar e desabafe. Coloque todos os seus problemas na mesa, veja o que pode ser feito, o que tem remédio e o que não tem solução. Desabafe. Desabe. Você não é obrigado! Chore! São muitas mudanças e é normal sentir-se confuso, saturado... Ninguém vai te diminuir por isso! Algumas vezes, as coisas se misturam e se complicam: organizar o visto, pedir demissão, avisar aos amigos, se entender com o namorado, fechar/pagar contas... Acredite, sabemos como é a confusão do pré-embarque. Pode chorar as chateações, lamentar aquilo que não sair como você espera... 


Vale chorar durante o programa! Ouuuxiiii... gente, não é como se os EUA fossem nossos vizinhos de fronteira não! É longe "pragarai", é caro ir e voltar, tem toda a buro-*atchim*BOSTA*atchim*-cracia do visto e ficamos, muitas vezes, o ano inteiro sem ver nossos familiares/amigos queridos. Claaaaaaaro que você terá saudades! Chore se precisar! Algumas pessoas sofrem longe dos bichinhos de estimação, dos irmãos e, claro, dos namorados.... Gente, um ano passa voando, mas vai dar saudade sim! Eu chorei assim que cheguei na casa da family, depois do treinamento. Eu me lembro que eles foram me pegar looooonge de casa (umas 2h dirigindo), me levaram para almoçar pizza, voltaram conversando comigo no carro e, quando paramos na garagem de casa, eu já estava "me segurando" há um bom tempo...rsrsrsrs... Já tinha lágrimas nos olhos... eram muitas novidades e eu tinha tanto para perguntar, aprender... e eu nem entendia tudo que eles falavam... Eles levaram minha mala para o quarto, me ofereceram água, me apresentaram alguns vizinhos, que estavam na driveway nos esperando e me levaram até o meu quarto. Aí, me deixaram sozinha para descansar um pouco. Eu lembro de ter lido em algum blog que era correto e educado desfazer as malas no mesmo dia em que eu chegasse... então, eu fechei a porta do quarto e fui colocando todas as minhas roupas em cima da cama. Para cada peça que eu tirava da mala, uma lágrima caia... Chorei escondido uns 40min e esperei a minha cara melhorar para sair do quarto... [Sim, CHORAR ESCONDIDO é permitido! Alivia as emoções e acalma o coração!]

Vale chorar ao final do programa!!! Aí, então, que vale mesmo!! Eu ainda me emociono! Hahahaha se você tiver uma host family legal, kids apegadas, meninas feras na sua região..... claaaaaaro que quando o seu ano acabar e você tiver que voltar para o Brasil, você irá sofrer um bocado! Eu amei meus dois anos e quando tudo acabou, eu fiquei muito perdida. Parte de mim, se acostumou a morar nos EUA... Logo que eu voltei para o Brasil, eu ficava com medo de sair com qualquer coisa de valor na bolsa, eu tinha raiva do nosso sistema de transporte ser tão atrasado, de nossas estradas serem tão perigosas e eu tinha outro medo também... Um medo diferente... era o medo de ser esquecida: pela minha family, medo de que nunca mais falassem comigo... E medo de não me encaixar mais aqui no Brasil. Então, na minha primeira noite de volta, já em casa, eu chorei...



Então, uma coisa é certa: lágrimas vão rolar. Sabe o seu colchão, você sentirá a falta dele! Sabe os seus pais? Você verá só por Skype! Sabe o seu peludinho?? Vai te procurar pela casa toda e não vai entender que você partiu e que "volta já"... MAS É ISSO MESMO!! Você volta já!! Então, chora e SE ACALMA. Seca cada lágrima e segue em frente!! Força! Fé! Cabeça erguida! É um novo mundo... todos os dias você tomará decisões... pequenas decisões (espero essa kid parar de chorar por mais 5 min ou pego no colo e vou com ele chorando?) ou decisões enormes (ligo para o 911 ou levo eu mesma para o hospital?)! Decidirá entre opções fascinantes e criará memórias tão tocantes que só você as entenderá. Pois todas as fases da vida têm dessas lágrimas e só podemos aprender a caminhar com elas... :)

Levanta e vai criar memórias!!
Assim, uma das moças que me escreveu esse mês, está super-arrasada por não conseguir lidar sempre com essa tristeza. Eu respondi de maneira bem simples: todas as fases da nossa vida apresentam desafios, frustrações e algumas tristezas pelo caminho! Chore o que precisar e volte a caminhar! :) Minhas próximas linhas são a prova disso... Há três meses fui diagnosticada com RCU (uma doença inflamatória do aparelho digestivo)... Minha vida está em fase de adaptação... Em certos dias, eu choro! É um desconforto muito grande não saber se a comida que você comeu, te fará bem... Ou ver todos os seus amigos comendo pizza e você bebendo suco porque o restaurante não tem nada zero lactose... Eu sinto dores nas pernas, estou com falta de vitaminas e, algumas vezes, não tenho forças nem para sair da cama... MAS EU ME LEVANTO... Me arrasto até o banheiro, choro um monte, me seco, me visto, tomo meu café e vou dar as minhas aulas. Choro no colo do boy ou da mãe quando me sinto fraca, vejo meu cabelo cair, meu rosto ficar com feridinhas ou fico sem ar (coisas da medicação)... Mas eu lembro que eu ainda tenho muito pela frente. Essa doença não pode me definir. Eu choro e sigo! E, embora essa doença não tenha cura, estou aprendendo a caminhar com ela um dia de cada vez... 

Crises e dificuldades: aqui, óh!
PS: moça que me escreveu e que mora em Brasília!! Eu já te respondi há semanas!! Cadê você?? Vamos conversar!!!

PS 2: Se você conhece alguém com DII (doença inflamatória intestinal), seja solidário. Existem vários níveis da doença. E os portadores têm dias bons e ruins... Fique de olho. Se você tem DII e vai ser au pair, dica-pra-vida, leve na sua mala algumas coisas que você já esteja acostumada a comer e leve a sua medicação para caso você tenha alguma crise. ;)

PS3: Se quiserem saber mais da minha (ex) vida da Au Poor, procurem aqui no blog! Ainda tenho todos os posts... e há várias fotos também. :) E JÁ SABEM: NÃO VIAJEM COM DÚVIDAS!! SE QUISER conversar, desabafar, ouvir uma opinião: aupairtarci@gmail.com     ... não existem dúvidas bobas! Pode escrever o que estiver precisando.... :)

Mil beijos! :) 
Tarciana- Amiga do Tio Sam