12/25/2012

O primeiro Natal em Terras Alheias

Bom, primeiro, feliz Natal, pessoal! :) Eu desejo um Natal de Luz, Paz, Amor e muitas alegrias para todos vocês....

Hoje, aproveitando a data, vou contar como foi o meu primeiro Natal em solo americano. Lembro como se fosse ontem... minha cara de SUSTO quando precisei trabalhar dia 24/12. Hahahaha. Levantei com o baby kid na minha porta, pedindo suco. Lindamente pensei: é Natal. Feriado. Só que não. hahaha Tá minha host apressada bem atrás dele (sim, eu trabalhava de pijama mesmo) com pasta e papel na mão, já se despedindo de mim. Eu falei: Feliz Natal, e ela disse: Natal é amanhã. E eu: O.o Oi? Como assim? "No Brasil, a gente faz um jantar na noite do dia 24 e tal..." e fui explicando... Lá na casa do 1 ano, eu fiquei muito tempo sem ter schedule fixo. Era mais ou menos assim, os hosts precisavam, me avisavam na noite anterior e a gente se organizava. Como eu morava no meio do nada com o lugar nenhum, tava tudo FINE. Eu nem ligava. Dai, no dia 24, eu assustei. Achei que não fosse trabalhar. A host vai e explica que todos eles iam. Mas que ela ia voltar mais cedo e, se eu quisesse, poderia sair. Continuou explicando como eram as celebrações dia 25 e caiu fora pela porta branquinha de neve da cozinha. Eu peguei o baby calmamente, entreguei a mamadeira com suco, liguei a tv e deixei ele vendo Dora. Dai, fui trocar de roupa, escovar os dentes e tomar café também. 

Nesse meio tempo, a ficha foi caindo. Caindo nada, escorregando mesmo. Na dureza. Então, não haveria festa/jantar/comemorações dia 24? How sad! Me senti enganada. Traida. Mas eu estava na cultura deles e haveria de encarar tudo na boa. Sem cara feia. Sem dor de barriga. Mas não poderia deixar isso acontecer, sem mostrar como era o Natal para a gente também. Fiz um macarrão de noite. Disse que íamos comer juntos, pois já era Natal no Brasil e eles toparam. A host fez um prato com frango também e eu falei que no Brasil, a minha familia já estaria celebrando. Depois, eu cai fora para o mall. Ainda fui comprar umas lembrancinhas que estavam faltando. Voltei, me tranquei no quarto e empacotei tudinho. :D 

Na manhã seguinte, acordei com a kid#2 batendo na minha porta e me chamando, pois Santa tinha deixado presentes para mim também. Fui mega tímida para a sala, que estava COBERTA de pacotes. Era muita coisa mesmo. [tem foto no fotolog. Link ao lado] Abri o que a kid me entregou: meias. Depois, o kid#1 me passou mais outro embrulho, lá do outro lado da sala: um dvd. Todos os presentes com nossos nomes e cartões do Santa. Eu falei para a host que tinha coisas para as kids também e ela disse para eu entregar na hora do almoço, pois de manhã seriam apenas os presentes do Santa. Ok, pensei. Bem na hora que minha Kid#3 me atira mais um pacote: pijamas. Hahahaha Meus favoritos. Coleciono até hoje. E a manhã seguiu. Por muitos minutos assim: em meio aos papéis rasgados e à muita festa com brinquedos e roupas novas. Ou contrário do que é para a gente, lá eles ganham muitos presentes simbólicos junto com o que pediram ao Papai Noel: pipoca, dvds, adesivos, bloquinhos de papel etc. coisinhas da DollarStore (onde tudo é U$1).

Na hora do almoço, fomos para a casa da Gradma (vovó). Era só atravessar a rua. Eu já estava pronta, mas enrolei um pouco e esperei eles sairem primeiro. Juntei todas as coisas que eu tinha comprado em uma sacola e fui logo atrás. Comprei, ao todo, 13 presentinhos. Comprei pros tios, avós, primos etc. Sim, foi todo o meu salário. Mas eu nunca me arrependo de arrancar um sorriso. Rsrsrs.. E, por favor, né? É um ano apenas. Melhor participar de tudo. Atravessei a rua, todos já haviam entrado, entrei e fui para a sala também. Coloquei a minha sacola no chão. A vovó começou a distribuir "o almoço" (eram umas 4pm. Já era jantar+almoço juntos..rs) e eu me servi de purê de batatas, peru, molho do peru, salada e eggnog. Minha primeira vez tomando essa bebida e todo mundo olhando para a minha cara. Hahahahaha dai começou a chuva, melhor: TEMPESTADE, de perguntas: "Tarci, como é o Natal no Brasil?", "Como vocês têm um Natal sem neve?"... rs.. Essa foi a mais legal. Lembro até hoje da vovó falando: "o Natal deles que é certo. Baby Jesus nasceu no deserto."hahahaha Perguntaram o que a gente tinha para o jantar e muito mais. 



Dai, na hora da sobremesa, a vovó nos chamou para a sala de jantar e começou a entregar os presentes. Chamou todos nós, um por vez, para buscar um cobertor que ela bordou especialmente para a gente. O meu é roxo, tem o Mickey e o ano que eu morei com eles bordado no canto direito. Tenho até hoje. Fica ao lado do sofá aqui de casa. Quando todo mundo trocou presentes, eu falei bem tímida:"I just want to thank you all for being so nice to me" e fui entregando as lembrancinhas. Não esqueci de ninguém. E fiquei tímida que nem uma-coisa-muito-tímida. Hahhahaha. Inventei que a minha mãe ia ligar e voltei para casa. Esperei, esperei, tomei ar e vi que seria inútil ficar ali. Afinal, quantos minutos iam durar essa ligação? Atravessei a rua novamente e voltei para a casa da vó. Algumas pessoas tinham ido embora e os mais novos já tinham "capotado" no sofá. Deitei no chão da sala e coloquei um filme no dvd. Ninguém percebeu que eu tinha ido, voltado e estava deitada lá até que uma das kids me pediu suco. A hosta falou que eu estava off e eu disse que não tinha nenhum problema. A kid não pede suco achando que você é uma escrava ou empregada dele. Ela pede suco porque sabe que você é a pessoa que a ajuda em caso de necessidade. Como não sou fresca e sou pau para toda obra, levantei, peguei o suco para nós duas e deitei com ela no tapete de novo. Ainda fiz pipoca. Kid apagou rapidinho. Os host foram voltando para casa e eu fiquei lá... largada no chão. Vi uns três filmes, peguei minhas coisas e fui para casa. Encontrei mais presentes em minha cama: um edredon da Hello Kitty (que me deu alergia e foi devolvido), um som (que eu colei váááários adesivos nele) e raspadinhas da loteria (em que eu ganhei 15 dólares). Agradeci por tudo e fui dormir. Fui dormir pensando que havia sobrevivido ao primeiro Natal em Terras Alheias. Que havia trabalhando dia 24, ajudando durante a festa do dia 25 e de que tudo havia valido a pena. Afinal, eu estava vivendo o American Way of Life e não tinha sido fácil chegar até lá. Bom, melhor era aproveitar tudo mesmo do meu jeito sem frescuras e mimimimis. 

E vocês, como passaram o Natal? No Brasil? Nos EUA? Na Europa?
Beijosssss e I hope you have a wonderful Christmas, as merry as it can be. Deixei recado de FelixNatal na página do Amiga do Tio Sam no Face também. Assim: beijos em dobro. =)
Xoxo.

12/10/2012

O pós-barraco

Oi, menin@s! Tudo bem? Então... já tem quase uma semana daquela história tão maluca que balançou o mundo auperiano aqui na internet. Vocês lembram, não é? Estou falando das meninas que tinham um grupo e que faziam certos comentários quando viam perguntas de outras au pairs. [se você não ficou sabendo do "barraco", pule esse post, caro leitor! Pois tu vai ficar mais perdido que cebola em salada de frutas! rs...] Então, depois que eu publiquei o post anterior aqui e na página do FB, algumas meninas vieram conversar comigo. Umas me escreveram "cheias de razão", dizendo que estavam certas sim e que eu era tudo aquilo que elas disseram e muito mais. Porém, a gente tem é que dar valor ao que é bom e honesto nessa vida. Assim: nem liguei para elas. Mas liguei para DUAS, das 17 meninas, que me escreveram e me explicaram o que realmente tinha acontecido.

Nota para o leitor: se você vai ler esse post com todo esse preconceito estampado ai na sua cara de incrédulo, por favor, não continue a ler. Vá até o banheiro mais próximo e mande esses pensamentos de "ahh, elas só fizeram isso porque a barra ficou suja para o lado delas" ou "elas são hipócritas" descarga abaixo. Sim, meninas! Por favor, é no banheiro que vocês devem deixar esse tipo de pensamento se forem ler isso aqui. Principalmente, porque eu tento fazer o que eu prego. E eu acho SIM que as pessoas podem mudar, podem se arrepender, podem pedir desculpas e podem ganhar mais uma chance. Uma chance para se explicarem. Afinal, todos erramos!  Então vamos aos fatos...
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A primeira que falou comigo foi a Walquiria... Ela me disse que o que havia feito comigo tinha sido uma brincadeira sem noção. Que ela realmente sentia muito. Nós conversamos todos esses dias via inbox. Não apenas sobre o que tinha acontecido, mas sobre a vida de au pair e a vida aqui no Brasil. Em nenhum momento ela me pediu para apagar o post. Em nenhum momento, ela me ameaçou. Ela só veio com calma, pediu 2min para se explicar e eu dei. E não me arrependi. Ela realmente falou de coração que quando estava no Brasil e TINHA tempo para a net (coisa que pouca au pair tem), ela entrou naquele grupo e fez/falou coisas que não deveria. Que se arrependia e que, se pudesse, mandava um "I am sorry" para a geral. "Como todas vocês sabem - ou deveriam saber -, a experiência auperiana é uma montanha russa de emoções e uma puta duma metamorfose. Todas nós viemos para cá com uma cabeça, e mudamos milhares de vezes - para melhor - durante o tempo que passamos aqui. Vou aproveitar esse espaço para pedir perdão, pela minha imaturidade. Sobre algumas garotas, minha opinião mudou completamente. Sobre outras, continua a mesma, e quero mais é que explodam na bolha delas [trecho do post que ela fez no blog das 30 au pairs]" Ela me pareceu realmente chatiada com tudo isso e bem sincera... E me explicou ainda que esse meu jeito "brincalhão" e "uhúl, flores, lhyndas, phynas" deixa algumas meninas sem saco para ler o que eu escrevo e tal. Ela me parabenizou pelo ano que tive e continuamos conversando. Se ela foi uma das meninas que ofendeu você, tente conversar com ela para saber os motivos. Nesse caso, no meu caso, não havia motivo. "Ah, vamos lá. É só uma brincadeira" e foi mais ou menos assim. E eu também acreditei porque ela não me conhecia e ficaria mesmo difícil falar qualquer coisa de mim, não é? E ela disse mais "A black list era uma brincadeira infantil. Como todas sabemos, a aupair que você chama de gorda hoje, pode ser aquela que vai te abrigar amanhã. Isso aí, foi uma espécie de retratação, pra quem não entendeu. Nós amadurecemos com o tempo (...)." Então, na boa? Toda sorte na nova fase, mulher... bola para frente... E pelo que já ouvi, demorou mas você chegou onde deveria ter estado sempre. =D Aproveita!! Muitão!! E não esquece das minhas fotos com plaquinhas... rsrsrs

A segunda que falou comigo foi a Camila Leme e nós começamos a conversa falando sobre o meu direito de resposta ao print. Ela foi bem compreensiva e direta."Eu odeio picuinha", ela me disse, e continuou:"E não sei o nome das meninas que zoei para mandar inbox e conversar com elas". Ela ainda falou o mesmo que a Walquiria. Disse que foi uma brincadeira e que agora ela seria madura para lidar com as consequências. E, claro, se pudesse, voltaria atrás. Ela disse que riu e que achou engraçado tudo, mas que estava ficando mal também com os comentários que estava lendo sobre ela. Ela também NÃO ME PEDIU para apagar o post. Ela só me pediu para colocar uma tarja preta no nome de TODAS nós. Eu disse que só seria possível fazer isso se o post fosse apagado. E ela disse que não entendia muito de internet e que, como a Walquiria, estava sem tempo para ficar online desde que chegou aos EUA. Eu também conversei com ela todos esses dias e descobri que ela é ninja. Ela consegue andar na esteira da academia e me mandar inbox ao mesmo tempo. HAHAHA... eu fico tonta até no carro se estou lendo ou escrevendo. Imagina na esteira. Hahahaha... Conversamos muito... sobre o Brasil, sobre a vida de au pair.... E ela também foi sensata e disse que "todas teriam que teriam que lidar com isso e com as consequências agora". 

E eu tive a certeza, depois desses dias, que eu estava conversando com duas meninas que tinham consciência do que haviam feito, mas que em nenhum momento poderiam ter pensado que a coisa acabaria de uma maneira tão ofensiva e tão ruim. E que se elas tivessem tido a chance, teriam falado na boa com qualquer uma das envolvidas. E caberia a cada uma das meninas ASSUMIR COM MATURIDADE a sua parte da culpa. E isso serve para mim também. Eu, como "figura pública", me exponho por meio de posts e comentários. Preciso ter mais cuidado. Ser menos, às vezes, é ser mais. Foi uma lição para todas nós. E a minha vontade e é o que farei assim que eu terminar de escrever esse post, é APAGAR aquele print da página. Por dois motivos:

1- Eu acredito que as pessoas podem se arrepender e que podem mudar. Quem ai não fez uma brincadeira ou comentário e acabou ofendendo alguém sem querer? Quem aqui nunca fez/disse uma bobagem e pensou:"putz, perdi a chance de ficar calado"?? Sabe, às vezes, nosso cérebro esquece de calcular as consequências que nossos atos e nossas palavras terão. É assim com todo mundo... E quando isso acontece e nós voltamos atrás, seria legal se todo mundo lembrasse que somos TODOS humanos e que HOUVESSE perdão. Ou, pelo menos, buscassem seguir em frente sem crucificar quem errou. 

2- Meu outro motivo para apagar aquele print da página é a energia. Se as pessoas estão indo lá APENAS pelo post, há algo errado. Aquela página é mantida para falar com cada uma de vocês, dar força, dar incentivo, postar as novidades e contar algumas verdades. Rsrsrs... Aquela energia negativa has got to go. 

Se alguma das envolvidas, de qualquer lado, leu esse post e quiser conversar comigo ou com as meninas, podem fazer lá pela página. A página é um espaço aberto para esclarecimentos também. E que fique BEM CLARO que nenhuma delas me pediu para sumir com o print! Mas fazendo isso, eu sei que as outras meninas sairão ilesas da história. E não me importa muito isso. Não quero que duas meninas que foram sinceras comigo, paguem por outras tantas que não souberam pedir desculpas. Aí, eu estaria sendo injusta. Eu também sei que se esse fosse um post ofensivo e cheio de baixaria, teria 500mil visualizações. Uma pena, pois não curto esse tipo de coisa... Prefiro que @s menin@s passem aqui para distraírem a ideia e saberem qual a boa mas vou fazer um pedido: spread the word about this chapter around because it is over, we hope!




Um beijo e muita sorte, gurias! Esse programa de au pair é uma loucuraaaaaaa... Não é?