8/23/2012

AQUELE QUE NÃO TEM NADA A VER!

Sim, pessoal!! Esse é um post muito muito dificil para mim! É um post bem pessoal... quase ninguém o leu ainda e eu sempre preciso se muita coragem para postá-lo. Ele é a continuação do post anterior (NÃO É DA SUA CONTA) + uma resposta ao post do FB de uma das colegas que anda muito muito ansiosa com o processo. Ela está online, várias famílias passaram pelo perfil dela, mas nenhuma fez contato. Ela não pára de dar F5 no e-mail e tá pirando entre ouvir o que as pessoas dizem sobre "trocar a fralda dos filhos dos outros" e a ansiedade de não ter nada o que fazer, já que ela saiu do trabalho.   

Uma menina que nasceu em uma vila fria, muito distante daqui. Naquela vila fria, particularmente naquele inverno branco, a sua família fora acolhida por todo o povo do vilarejo em uma grande semana de celebrações e visitas à menininha. Seus olhos arredondados, hora verdes, hora castanhos, conquistavam cada morador como a magia do inverno, que envolve a alma daqueles que se aquecem com chocolate quente. A menina atraía visitas todos os dias e, como a sua mãe era muito popular no vilarejo, logo elas começaram a receber alguns presentes: folhas que só cresciam em vilas vizinhas, perfumes, livros e cartas. A vila sempre fora muito carinhosa com a mãe da menina, que fazia chás de todas as folhas, em todas as estações, para todas as doenças. Crianças, senhores e até animais encontravam abrigo e colorido na casa da menina. Colorido rosa, amarelo e azul. Colorido dos olhos da menina, colorido do sorriso da menina e das mãos da menina. Um desses animais, um cachorro com mais pêlos do que pulgas, foi ficando e acabou-se como parte da mobília. E a menina crescia ajudando a mãe em casa, colhendo as folhas no campo e tratando os necessitados. Ela sabia sentir no olhar o que eles tinham e o que poderia fazer para ajudá-los. Certa noite, alguns invernos depois, um senhor muito cansado bateu nas pesadas portas do chalé e esperou que atendessem a porta. A fumaça da lareira marcava o ar e invadia a noite com a intimidade de uma velha conhecida. O cheiro de comida no forno enchia cada espaço do estômago daquele senhor, que caiu de joelhos na neve logo quando a porta se abria. A menina chamou a mãe e as duas, em um esforço conjunto, carregaram o homem para dentro. A menina o sentou no velho sofá vermelho, atirou a mochila que ele carregava no chão e apanhou linhas coloridas que caiam dela, enfiando-as novamente na bolsa. Depois, tirou as botas do velho e as suas meias moídas, para então colocar-lhe os pés machucados em uma almofada perto do fogo. E o senhor, por menos de um segundo, olhou direto para os olhos da menina e soube, ali, que ela era exatamente como ele. A mãe da menina voltou com um prato de sopa quente e o cachorro da menina também resolveu ajudar, encontrando lugar na manchada almofada onde o velho descansava os pés, deitando-se e bem desempenhando seu papel de aquecedor de pés. Elas esperavam ele comer, enquanto organizavam as folhas para um chá. A mãe nunca o havia visto pela vila, mas acreditou nos sentimentos da menina e continuou a organizar seu armário de suprimentos. A menina fechou o último frasco que faltava, apanhou um dos livros que ganhara há anos e sentou-se perto do fogo, lendo-o com sua voz de colorido azul claro. Aos poucos o velho passou a alternar colheradas com olhares em direção ao livro e as cores que vinham de lá. Eram as mãos da menina passeando pelas páginas e pelas linhas do livro, mãos de colorido violeta. E ela sorria. Um sorriso bobo que só alguém que encontra um fiel papel perceberia, ela sorria cor de azul prateado e iluminava os quatro cantos da sala. A mãe até sabia que trecho do livro ela deveria estar lendo agora. Aquela parte, a parte que dava todos os coloridos a vida da menina. A parte que trançava os coloridos que toda vida deveria ter. E o velho adormeceu. Um sono tranquilo, quase verde. A menina colocou um cobertor por cima daquela falta de barriga e deitou-se ao lado do cachorro. Ela dormiria com seu amigo, antes de deixá-lo sozinho com um desconhecido. E a noite passou sorrateira, com o barulho de pequenos flocos de neve batendo contra a janela, como toda noite de inverno de qualquer lugar do mundo. A menina abriu os olhos e ele já não estava lá. O velho havia partido enquanto ela dormia. Ela ainda abriu a porta, mas ele não estava em nenhum lugar que a sua vista pudesse alcançar. Voltou-se para a sala e fechou a porta atrás de si. Olhos coloridos cinzentos no chão, no sofá, na almofada, no fogo, de volta à almofada e só depois o viu. Na poltrona, pertinho da mesa, um pacote com uma fita amarela. E naquele pacote com cheiro de surpresa, lia-se "Para a menina. Muito obrigado. Lembre-se: crescerá com você. Seu velho amigo". Ela chamou a mãe e juntas abriram o presente. Cabia perfeitamente, cada centímetro detalhadamente trabalhado com finas linhas bordadas, parecia que havia sido moldado em seu corpo. Ela girava e a saia marcava o ar com seu colorido especial e a cada sorriso, mais brilhavam as finas linhas coloridas. As mangas alcançavam seu pulso, e a saia era bordada e bem rodada até a altura dos joelhos, na cintura havia uma fita que terminava em um bonito laço nas costas e naquele dia, vestida como menina, ela saiu com o cachorro nos calcanhares para apanhar mais folhas. Atravessou a vila, buscou todas as folhas que precisava no campo e, quando estava bem próxima do chalé, sentiu que alguém estava por ali. Deu a volta e encontrou uma garota, que deveria ter a sua idade, sentada em uma pedra, atirando pequenos pedaços de madeira ao vento. Aproximou-se e sentiu o cinza invadir-lhe todo o estômago, as veias, o coração e respirou fundo. Esticou uma das folhas para a garota e a ouviu perder mais cores por horas, mas nada fazia o cinza ir embora. Fazia frio, ventava e nada mudava de colorido, as mesmas sombras de cinza marcavam o rosto da garota. A garota cinza cuspiu a folha, levantou-se e foi embora, deixando a menina sozinha. Mas o cachorro aproximou-se da menina e deu-lhe um cheiro na bochecha, que ficou colorida rosa. As cores voltavam enquanto ela caminhava de volta para o chalé. No outro dia, foi quase tudo igual. A garota cinza estava lá, sentada, dessa vez com uma outra garota tão cinza quanto ela, mas diferente. Outros traços, mais leves; outro rosto colorido de cinza com rajadas de marrom. Muito parecidas, mas nunca iguais. Apenas cinzas. A menina se aproximou novamente e ofereceu folha verde de cheiro doce, mas quando abriu a mão, o vento levantou e se moveu de leve e a folha foi parar no ar. A menina girou para segurá-la e sentiu o sol no seu rosto e o vento nos cabelos e um calor no coração e, sem perceber, sorriu seu sorriso rosa. Sorriu sozinha, com ela e com o tempo. O vestido iluminado e o rosto colorido de vida. Alcançou a folha e voltou a esticar a mão colorida de violeta. As garotas cinzas riram e correram de lá. A menina deitou-se na pedra e deixou cada gota de luz do sol tocar a sua pele, sorrindo grande, sorrindo sozinha. Não demorou muito para que as garotas cinzas voltassem, com outras garotas cinzas. Uma delas cinza bem escuro, que já havia ido ao chalé para receber cuidados para uma doença de coração. A outra, baixa, bem mais baixa que a menina, apontava as mãos fechadas coloridas de escuro em direção ao vestido que brilhava fraco. E elas riam cores apagadas, enquanto a menina voltava para o chalé, sentindo aquela sensação de cinza invadir-lhe o corpo. Entrou, atravessou a sala, abriu o armário de folhas e procurou por uma que apagasse as cores. Qualquer uma que a fizesse menos rosa, menos violeta, menos vida. Mastigou a mais amarga que encontrou. Mas sabia que as suas cores continuavam ali. Mastigou uma folha apagada, outra escura, uma azeda e a de cheiro esquisito. Mas as cores cinzas dessas folhas, apenas tocavam seu coração e iam embora refletidas rosas, violetas, verdes. Trocou o vestido, mas as cores, que estavam mais ao fundo, continuavam pulsando vivas. No terceiro dia, foi ao campo e não sorriu. Não fez nenhuma questão de sentir a luz do sol, mas ainda assim sentia o latejar de cada colorido dentro de si. Não podia fugir da sua pele, não podia esconder-se na sombra. Então, quando caminhava de volta, sentiu olhares que a viam pálida como o inverno e sucumbiu ao colorido flamejante de olhares preocupados, caindo de joelhos no chão. Foi como um cheiro de surpresa e com um pequeno sorriso, que ela viu aqueles olhos. Os mesmos olhos velhos e seguros de outrora, ergueram-na e sorriram de volta. O velho estava menos apagado. Ela o reconheceu, mesmo depois de todo esse tempo, reconheceu. E foi levada por ele ao chalé, com o cachorro aos encalços, e foi deitada no sofá. A menina sentia-se como se o emaranhado de cores cinzas estivesse apenas em sua cabeça, coloridos pensamentos monocromáticos despretensiosos para seu coração, unidos como.... E o velho tirou o casaco...  os fios finos e bordados da camisa se entrelaçavam e por um momento, a menina achou que o velho vestira seu vestido e sorriu... E o colorido invadiu a sala e o velho sorriu também, e as cores batiam na janela e se misturavam em coloridos violetas e azuis. Os dois se olhavam e se entendiam como só o silêncio saberia explicar. Então, a mãe chegou com um chá, trazendo o vestido. A menina tornou a vestí-lo e a olhar para o velho, imitando-o. Sorria pequeno, cores menores, num contido colorido de azul claro. Sorria rápido, cores vermelhas bagunçadas em um colorido de carmim. Sorria alto e sorria magro. E sorria de coração, em um animado colorido rosa que aquecia, o mesmo calor de estender a mão, que só vinha igual do sol e do colorido da vida. E por ela, sorria! E depois não sorria e entendia, mas escute e sinta cada uma das cores pulsando viva sob a sua pele, crescendo com você. Para sempre em você!

Juntando tudo que disse lá em cima (a cont do post anterior + a ansiedade das meninas), resolvi postar aqui um conto (que está no meu blog de contos e que foi escrito em maio/12). Vocês podem interpretar de vááárias maneiras (poderia ser a história de uma au pair, né?) e espero ter ajudado a passar o tempo de vocês. Gostaram???? Gostaria de ouvir opiniões/críticas... 

#Tensa! rsrsrsrs

2 comentários:

MatikO disse...

É um conto que traz riqueza de detalhes, gostei, e minha percepção foi a ideia dos pensamentos positivos X pensamentos negativos, a ideia de que positividade atrai positividade..
Parabéns!

Cáren disse...

Meu Deus, que lindo isso... Posso colar no meu FAce? Com os devidos créditos, claro!?
Adorei.